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Inventário e herança

Carro do falecido pode ser vendido antes da partilha?

2 min de leitura Revisado em 18/09/2026 Revisado por advogado
Resposta rápida

Só por um caminho legal, nunca com a procuração antiga: ela perdeu a validade com a morte (art. 682, II, do Código Civil). A venda passa por alvará judicial, quando o carro é praticamente o único bem, por autorização do juiz no inventário ou, se todos os herdeiros forem capazes e concordarem, pela escritura em cartório.

Entenda em detalhe

Os caminhos para vender o carro, lado a lado

CaminhoQuando serveO que libera a venda
Alvará judicialO carro é praticamente o único bem da herançaA autorização do juiz no alvará
Inventário judicialInventário que corre na JustiçaO inventariante pede, os herdeiros são ouvidos e o juiz autoriza (art. 619, I, do CPC)
Inventário em cartórioTodos os herdeiros capazes e de acordoA escritura; a venda é feita depois, pelo herdeiro que ficou com o carro (art. 610, §1º, do CPC)
Procuração do falecidoNuncaPerdeu a validade no óbito (art. 682, II, do CC)

Não por venda informal, e nunca com a procuração antiga. O art. 682, II do Código Civil determina que o mandato cessa com a morte do mandante. A procuração que o falecido assinou perdeu a validade no instante do óbito — quem a utiliza para vender o carro age sem poderes e pode responder pessoalmente perante os demais herdeiros e perante o comprador.

Por que o carro não é "de quem usa"

Com a abertura da sucessão o veículo integra o espólio, e o art. 1.791, parágrafo único do CC submete a herança ao regime do condomínio até a partilha: o bem é indivisível e pertence a todos os herdeiros em conjunto, independentemente de quem está com a chave.

Os caminhos legítimos

  • Inventário judicial — o art. 619, I do CPC permite ao inventariante alienar bens de qualquer espécie, ouvidos os interessados e com autorização do juiz.
  • Alvará judicial — via mais rápida quando o veículo é praticamente o único bem.
  • Inventário extrajudicial — sendo todos capazes e concordes, a escritura do art. 610, §1º do CPC já é documento hábil para o registro, e a venda é feita depois pelo herdeiro que ficou com o bem.

O que custa esperar

IPVA, licenciamento, seguro obrigatório e eventuais multas continuam vencendo em nome do falecido, e o carro parado desvaloriza mês a mês. Some-se o prazo de dois meses do art. 611 do CPC para instaurar o inventário. No Paraná não há multa pelo atraso na abertura — a multa estadual é do ITCMD pago fora do prazo. Sobre a faculdade de o Estado instituir multa pelo retardamento, veja a Súmula 542.

O que reunir

Documento do veículo, certidão de óbito, consulta de débitos no Detran e uma avaliação de mercado na data do óbito — é ela que baliza o ITCMD, devido pela alíquota vigente na abertura da sucessão (Súmula 112 do STF). Concluída a partilha, a transferência do registro deve ser providenciada no prazo do art. 123 do Código de Trânsito Brasileiro.

Esta resposta tem caráter informativo e trata da regra geral. Cada caso tem particularidades de fato, prova e prazo que podem mudar completamente o resultado — por isso, antes de decidir, vale uma análise da sua situação concreta.

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