Falta de acompanhamento no pós-operatório pode ser erro médico?
Sim. A obrigação do cirurgião não se encerra quando a cirurgia termina. O acompanhamento pós-operatório integra o serviço contratado, e sua omissão configura negligência — hipótese expressa do art. 14, §4º do Código de Defesa do Consumidor para o profissional liberal.
Entenda em detalhe
Sim. A obrigação do cirurgião não se encerra quando a cirurgia termina. O acompanhamento pós-operatório integra o serviço contratado, e sua omissão configura negligência — hipótese expressa do art. 14, §4º do Código de Defesa do Consumidor para o profissional liberal.
As situações mais frequentes
- Sinal de infecção comunicado e não reavaliado — febre, secreção, dor crescente e vermelhidão relatados sem que o paciente fosse examinado.
- Médico inacessível após a alta, sem substituto indicado e sem retorno às tentativas de contato.
- Alta sem orientação escrita sobre sinais de alerta, cuidados com o curativo e data de retorno.
- Retirada de pontos, dreno ou cateter não realizada no prazo devido.
- Complicação identificada e tratada tarde, quando a intervenção precoce evitaria a sequela.
O que a norma ética diz
O Código de Ética Médica (Resolução CFM 2.217/2018) veda ao médico abandonar paciente sob seus cuidados (art. 36) e deixar de usar todos os meios de diagnóstico e tratamento cientificamente reconhecidos a seu alcance (art. 32). O hospital, quando o pós-operatório é de sua estrutura, responde de forma objetiva pelo art. 14, caput, do CDC.
O que comprova o abandono
- Mensagens, e-mails e registros de chamada mostrando as tentativas de contato e a ausência de resposta — este é, na prática, o documento mais decisivo
- Prontuário do consultório, com os retornos agendados e os comparecimentos
- Prontuário completo do serviço que acabou socorrendo o paciente
- Fotografias datadas da ferida operatória em sequência
Prazo
Cinco anos pelo art. 27 do CDC, contados da ciência do dano e de sua autoria — e não da data da cirurgia, o que é relevante quando a sequela só se revela meses depois.
Esta resposta tem caráter informativo e trata da regra geral. Cada caso tem particularidades de fato, prova e prazo que podem mudar completamente o resultado — por isso, antes de decidir, vale uma análise da sua situação concreta.
Aconteceu com você?
A Martinhago Advocacia faz a análise inicial do seu caso sem compromisso e diz, com franqueza, o que é possível e o que não é — inclusive quando o caminho não é processo.
Perguntas relacionadas
Continue esclarecendo o assunto — respostas diretas, no mesmo tema.