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Trabalhista bancário

Burnout de bancário por metas e pressão pode gerar responsabilidade do banco?

2 min de leitura Revisado em 02/09/2026 Revisado por advogado
Resposta rápida

Pode, quando se demonstra o nexo entre a organização do trabalho e o adoecimento. Desde 2022, a Síndrome de Burnout é classificada pela Organização Mundial da Saúde como fenômeno ocupacional na CID-11, ligado ao estresse crônico no trabalho que não foi gerenciado com sucesso.

Entenda em detalhe

Pode, quando se demonstra o nexo entre a organização do trabalho e o adoecimento. Desde 2022, a Síndrome de Burnout é classificada pela Organização Mundial da Saúde como fenômeno ocupacional na CID-11, ligado ao estresse crônico no trabalho que não foi gerenciado com sucesso.

Metas são lícitas; o método pode não ser

Cobrar resultado integra o poder diretivo do empregador (art. 2º da CLT). O que gera responsabilidade é o excesso: ranking humilhante, ameaça diária de demissão, cobrança fora do expediente, jornada extensa e ausência de pausas. A reparação se apoia nos arts. 223-A a 223-G da CLT, que listam a saúde entre os bens tutelados, e nos arts. 186 e 927 do Código Civil.

Doença ocupacional, e não apenas dano moral

  • O art. 20, II da Lei 8.213/1991 equipara a doença do trabalho ao acidente.
  • Pelo art. 21, I, basta que o trabalho tenha contribuído para a perda de capacidade, mesmo sem ser a causa única. É a concausa.
  • A CAT deve ser emitida pelo banco (art. 22); recusando-se, o próprio empregado, o sindicato ou o médico podem emitir.
  • Afastamento superior a 15 dias com benefício acidentário gera estabilidade de 12 meses após a alta (art. 118 da Lei 8.213/1991 e Súmula 378, II do TST).

O que reunir

Laudos e receitas de psiquiatra ou psicólogo com datas, atestados, prints das cobranças e dos rankings, planilhas de metas, e-mails noturnos e de fim de semana, registros de jornada e testemunhas do mesmo setor. Documento com data é o que constrói o nexo.

O prazo conta da ciência inequívoca da incapacidade: 5 anos retroativos enquanto o contrato está em curso e 2 anos após o desligamento para ajuizar (art. 7º, XXIX da Constituição Federal). Quem sai adoecido costuma adiar tudo e descobrir o prazo vencido. O nexo depende de perícia, sem promessa de resultado.

Esta resposta tem caráter informativo e trata da regra geral. Cada caso tem particularidades de fato, prova e prazo que podem mudar completamente o resultado — por isso, antes de decidir, vale uma análise da sua situação concreta.

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